“Nunca tinha pensado nisso, mas acho que sempre fui procurado para estruturar clubes.” E aqui não será diferente para o novo técnico do Londrina, Ademir Bertoglio. Natural de Santa Catarina, o treinador já comandou o Caxias (RS), onde iniciou a carreira como jogador, e pelo Campo Mourão (PR), e agora foi convidado para assumir o Tubarão, pelo grupo paulista Universe, que assinou contrato de três anos com a Justiça do Trabalho para gerenciar o futebol do clube. A prioridade é a divisão de acesso ao Campeonato Paranaense.
O primeiro desafio no Londrina será a Copa do Brasil. O clube estreia no dia 24 de fevereiro, contra o Uberaba, no interior de Minas Gerais. “A prioridade é tentar passar a primeira fase, mas o ponto principal é ter acesso à primeira divisão do Campeonato Paranaense.” Para isso, o novo treinador pretende montar um grupo formado por atletas novos e outros mais experientes. “A gente sabe que vai ter que montar uma equipe de qualidade, com a grandeza do Londrina. À medida que formos avançando na Copa do Brasil, vamos qualificando o grupo, para que o Londrina entre no Paranaense com atletas de alto nível”, afirmou.
Ademir não revelou possíveis nomes para integrar a equipe, mas admitiu a possibilidade de contratar reforços ainda durante a Copa do Brasil. “Temos um tempo grande até 2 de maio, quando estreia o Paranaense. A gente está acompanhando a primeira divisão para ver alguns atletas.” Além disso, o técnico disse estar à procura de jogadores com determinado perfil. “Precisamos de atletas com experiência, para levantar o clube, que está numa situação que não merecia.” Ele não revelou nomes, para “não gerar muita especulação”.
O novo treinador disse trabalhar com naturalidade a cobrança da imprensa e da torcida. “Os torcedores avaliam o trabalho pelo resultado em campo. E a direção avalia pelo trabalho feito. No Paranaense, o Londrina tem que entrar como favorito. A gente sabe dessa responsabilidade. Mas o time terá o apoio da torcida”, disse. O treinador deverá chegar a Londrina nesta semana.
Estilo Felipão
Alguns dizem que Ademir tem um “estilo Felipão” de ser, referindo ao técnico Luiz Felipe Scolari, hoje treinador no Uzbequistão. “Não me comparo com outros treinadores. Mas quando as pessoas falam no Felipão, é pela seriedade, uma confiança de trabalho que não tem brincadeira. É isso que faz com que as pessoas me comparem a ele”, explicou. Felipão, assim como Ademir, também jogou no Caxias. “Tanto como jogador ou treinador, ele é sinônimo de doação ao máximo.”
Intervenção
Administrar um grupo de um time que está sob intervenção judicial, mesmo que parcial, é novidade para Ademir, mas isso não deverá afetar o trabalho dele. “Eu não vou me preocupar quanto a isso. Vou me preocupar com o trabalho dentro de campo. A direção é competente e capaz para resolver os problemas extracampo. Não quero me envolver com política ou o que não envolve o meu trabalho”, ressaltou.
O convite para assumir o clube foi feito há uma semana, no dia 16 à noite, quando o grupo paulista teria entrado em contato com o interventor judicial Rubens Moretti. “Não tem nem como não pensar [em não aceitar] porque a dimensão do Londrina para o Campo Mourão é muito grande. Há diferença de estrutura e de cidade. É uma história de um clube vencedor, que está num momento fora de sua real condição”, afirmou. Ademir classificou o Tubarão como “um dos maiores clubes do Paraná”. “É um salto profissional grande.”
Perfil de técnico
“Tá no sangue da maioria dos guris a vontade de ser jogador.” O sotaque do novo treinador do Tubarão é de Chapecó, Santa Catarina. Nascido em 03/07/1973, Ademir Bertoglio começou sua paixão com o futebol aos 17 anos, no Caxias (RS), mesmo clube em que iniciou a carreira de técnico, em 2006. Ademir jogou por 11 anos no Caxias, passou pelo América de Natal, pelo Vila Nova de Goiás, Botafogo de Ribeirão Preto e, por fim, no Malutron.
Para ser jogador, segundo Ademir, é preciso ter persistência. “A gente tem que trabalhar bastante. Na minha época tinha muitos caras melhores que eu, mas o problema é aguentar salários atrasados, imprensa cobrando.” Parou de jogar futebol em 2006, após uma lesão no joelho. “Eu até poderia ter seguido, mas surgiu a oportunidade de começar como técnico”, contou.
Foi convidado para ser técnico do Caxias. “Foi um passo a mais. A maioria dos treinadores que eu trabalhei dizia que eu tinha esse perfil. Eu queria jogar no Flamengo ou no Barcelona, mas já que surgiu essa oportunidade, vou me dedicar ao máximo”, brincou. Durante três anos, Ademir organizou a equipe de base do Caxias, quando foi convidado, em abril de 2009, para fazer o mesmo trabalho no Campo Mourão.
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